Professor Franklin Leopoldo ministra primeira aula sobre Hegel no Somar Para Vencer

Na faculdade de São Bento, em 19 de maio de 2016, aconteceu a primeira aula sobre Hegel, ministrada pelo livre docente professor Franklin Leopoldo e Silva, onde foi feita uma introdução ao pensamento do filósofo Hegel – que gerou grande influência no pensamento e nos pensadores contemporâneos, dos quais destacam-se: Ludwig Feuerbach e Karl Marx.

Por grande novidade, Hegel inseriu no contexto filosófico moderno o trabalho de pensar na totalidade, ou seja, ele é um pensador da totalidade que tentou dispor seu trabalho na direção do todo / absoluto, tentando encontrar – se houverem – os limites da razão. Pensar a totalidade para o autor, é realizar o absoluto, ou seja, alcançar o absoluto no fim do processo de autoconhecimento do “espírito”. Mesmo que Hegel não alcançasse o absoluto, ele acreditava que isso era possível e então tentou ao máximo alcançá-lo.

Ele pensava que além de alcançar a totalidade, ou seja, o conhecimento do real, seria possível justificar essa totalidade, visto que para ele, o conhecimento é auto justificável, tanto que “Tudo que é real é racional. Tudo que é racional é real”. Essa é a identificação que Hegel faz entre o real e o racional. Para ele, o conhecimento do real é também sua justificativa.

Se a realidade é racional, ela tem uma lógica, que é usada para o estudo das expressões da razão através da história. Para ele, o fim da razão é reconhecer-se a si mesma. Ou seja, tudo que ocorre na história, ocorreu por uma necessidade racional durante o processo de autoconhecimento do Espírito Universal. Hegel faz parte de uma classe filosófica que se utiliza da racionalidade imanente.

Se algo ocorreu, foi devido à uma necessidade racional de que aquilo acontecesse durante o processo de autoconhecimento da razão (“espírito”), por isso, conhecer a realidade é também justificá-la, visto que o que aconteceu tinha que acontecer. Daqui pode-se perceber uma das razões pelas quais os marxistas justificam as milhões de mortes realizadas por seus regimes como algo natural no curso da história humana, algo que deveria ter acontecido. Esse processo de autoconhecimento integra também contradições, e aqui compreende-se a dialética hegeliana que embarca o sofrimento como inscrito na realidade. Ou seja, para Hegel são os conflitos e contradições que geram ordem, ele não entende o ser como faz o pensamento clássico, mas aposta justamente no não-ser, afirmando que da desordem gerada pela negação surgirá a ordem.

Essa lógica conflitante rege os acontecimentos da história que caminha para o autoconhecimento total do “espírito”. Nesse caso, a realidade não é um objeto de contemplação como pensavam os autores que o antecederam, desde os gregos até a Idade Média, para ele a realidade é um processo racional. Há 3 expressões máximas da razão para o autor que ocorreram durante a história: a arte, a religião e, por fim, a filosofia que encerra as anteriores. Nisso consiste sua concepção de que a realidade é o movimento (devir) das coisas que não são para serem aquilo que devem ser, a verdade para ele, é esse movimento.

Para o autor, a negação (o não ser) gera uma afirmação, ou seja, a afirmação surge sobre (por cima, literalmente) de uma negação, sendo assim o destrutivo constrói, o negativo é ativo e não uma privação ou passividade. A contradição é o que move as coisas que mudam porque se negam. A dialética é o movimento das negações e contradições dentro da lógica da realidade, logo o movimento precede as coisas e não as coisas geram movimento, e a verdade só se revelará absolutamente no fim do processo dialético, ou seja, quando o “espírito” se realizar plenamente. Ele fora influenciado por autores liberais, e aqui pode-se encontrar um paralelo de suas ideias de que no fim tudo se justificará e ordenará independente das negações que aconteçam com a ideia liberal da “mão invisível”.

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